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segunda-feira, 10 de maio de 2010

O papel do elemento lúdico nas aulas de natação


Conceituar o lúdico não é fácil, muitos pesquisadores tiveram a tarefa de contextualizá-lo, como a exemplo de Brougère (1998), Roza (1999), Schwartz (1998) e Aberastury (1992), e o que parece ser consenso entre eles é de que o lúdico tem função em si mesmo e está intrínseco em sua própria realização e satisfação pela atividade. Estudiosos que têm como área de interesse as atividades realizadas em meio líquido, viabilizam propostas mais motivadoras e criativas dentro desse meio, como é o caso da inserção do elemento lúdico nas aulas de natação, tanto para crianças como para adultos, a exemplo de Freire (2004), Pereira (2001), Allen (1999) e Klar; Miranda Jr. (2001), que optam por uma abordagem do lúdico como filosofia pedagógica, presente na fluidez das brincadeiras, gerando manifestações positivas que privilegiem a criatividade, a espontaneidade, o prazer, a afetividade, entre outros, trazendo uma característica diferente e particular em cada aula ministrada.

Dentro dessa perspectiva de visualizar a vivência lúdica como filosofia pedagógica dentro do trabalho em atividades aquáticas, urge a necessidade de atentar para que o elemento lúdico não seja inserido de maneira funcionalista, ou seja, que ele não perca sua identidade ao ser utilizado como estratégia no processo pedagógico. Torna-se necessário enfatizar que o lúdico alcança objetivos, mas não se presta a atingir um objetivo em específico a priori e sim é possível com sua inserção alcançar aprendizagens essenciais com sua vivência, sem contudo, possuir finalidade imediata. (BROUGÈRE, 1998). Mesmo com todo esse respaldo em relação a abordagem do elemento lúdico, muitas vezes, ele é inserido nas atividades aquáticas somente como facilitador da aprendizagem, como um meio para alcançar determinado objetivo dentro do processo ensino-aprendizagem dos nados, esquecendo-se do valor que o lúdico tem para o desenvolvimento global do ser humano. Refletindo sobre a inserção do elemento lúdico nas aulas de natação, um grande obstáculo se instaura na prática das atividades aquáticas, as quais são, normalmente, desenvolvidas em clubes recreativos, academias e escolas de natação, pois com o objetivo emergente de atender as expectativas dos alunos, dos pais, de professores e da instituição, se preocupam em ensinar a nadar os estilos da natação, seguindo uma estratégia metodológica, mas nem sempre tendo o lúdico como norteador do programa. (Freire, 2004).

O lúdico na relação pedagógica em meio líquido alcança uma dimensão humana que vai além do simples entretenimento ou como recompensa por cumprimento de tarefas durante as aulas de natação, ele possibilita desvelar emoções e sensações, assim como aspectos relacionados a afetividade. Mesmo que as expectativas dos professores e da instituição venham ao encontro das expectativas dos pais e alunos, esse motivo parece não ser o suficiente para manter o praticante na atividade, existe um motivo maior, que justifica a permanência nas mesmas. Isto está relacionado diretamente ao estado de satisfação para a prática, que foi denominado por Csizszentmihaly (1999) como estado de fluxo, quando o conteúdo da experiência, oferece uma resposta imediata quanto ao crescimento pessoal imensurável conquistado, contribuindo para novos níveis de desafios e aprendizado de novas habilidades. Desta forma, atividade que provoca prazer, satisfação, liberação de sensações e emoções positivas, podem representar um forte diferencial nas experiências vivenciadas em meio líquido, assim como, um fator catalisador de estilos de vida ativos e saudáveis.

Nesta dimensão mais ampla em que se encontra a expressão lúdica, não há de se negar seu potencial motivador na educação, existindo, segundo Winterstein (1995), um influenciador (professor) e um influenciado (aluno), estabelecendo uma relação na qual ser privilegia essa influência como forma de participação ativa do professor junto ao aluno, por meio da permissão do brincar em meio líquido, construindo laços afetivos entre eles e uma relacionamento bilateral, onde tanto o aluno como o professor aprendem nessa construção do saber. As crianças são motivadas a participar de determinada brincadeira, quando esta tem alguma relação com a experiência anteriormente vivida por elas, ou quando se sentem na possibilidade de resolver seus conflitos em meio líquido, como a exemplo do sentir medo quando o rosto está em contato com a superfície da água. Se esse contato ocorrer por meio do lúdico, a brincadeira parece minimizar o medo, desvelando emoções e sensações que esse contato possa gerar, configurando-se num dos principais motivos da realização ou não da brincadeira, conforme evidencia Brougère (1998).

O lúdico nas aulas de natação motiva a relação pedagógica, subentendendo-se que nessa relação existe um adulto que pode se permitir brincar com o aluno por meio da fantasia, da música, das histórias contadas, das dramatizações e dos jogos cooperativos. Desta forma, a criança pode ser influenciada a participar com o professor quando a brincadeira detém um certo aspecto de sedução e que nessa brincadeira proposta exista espaço para criar, expressar fantasias, por meio do faz-de-conta, num tempo que não tem hora. Sendo assim, a motivação é a veia propulsora da criatividade, permitindo à criança a capacidade de criar e imaginar. Referente a postura do professor frente ao lúdico, ele pode assumir o comportamento de jogador ou ser apenas um espectador, observando as atividades sem, contudo, participar e trocar experiências valiosas com os alunos, porém para que a entrega ao lúdico seja total é necessário a troca. Nas aulas de natação para crianças é fundamental que o professor mergulhe na aventura dessa emoção em meio líquido, entrando na piscina e participando com as crianças das brincadeiras. Fonte:Marília Freire e Profª Drª Gisele Maria Schwartz, encontra-se disponível em: http://www.efdeportes.com/efd86/natacao.htm

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